Anotado a 5 de Junho · leitura de 5 minutos
Pulgão, cochonilha e mosquitos da terra: o que fazer sem veneno
Praga de varanda não se combate por calendário: combate-se por inspecção. Virar a folha uma vez por semana poupa metade do trabalho.

Numa varanda comum, três visitantes explicam quase todas as queixas: pulgão nos rebentos tenros, cochonilha nas axilas e no caule, e os mosquitos pequenos que saem da terra sempre que se rega. Nenhum deles exige veneno de prateleira alta.
Pulgão
Aparece em colónia nos rebentos novos e nas hastes de flor. Em número pequeno, esmaga-se com os dedos ou lava-se com jacto de água. Persistindo, uma solução de sabão de potássio pulverizada ao fim do dia, dois ou três dias seguidos, resolve — nunca ao sol, que queima a folha molhada.
Formiga a subir e a descer no caule é sinal indirecto: elas protegem o pulgão pela melada. Resolver o pulgão dispersa a formiga; matar a formiga sem tratar o pulgão não muda nada.
Cochonilha
Parece um pequeno escudo castanho ou um floco de algodão nas axilas das folhas. Sai com cotonete embebido em álcool, uma a uma, com paciência. Em planta muito atacada compensa cortar as partes mais infestadas antes de tratar o resto.
É o problema mais comum em plantas de interior que passam o Verão na varanda. Inspeccionar antes de as voltar a entrar em Outubro evita levar a praga para dentro de casa, onde ela se multiplica sem inimigos.
Mosquitos da terra
Aqueles mosquitinhos que levantam voo a cada rega vivem na camada superficial húmida. A medida mais eficaz não é inseticida: é deixar secar os dois primeiros centímetros entre regas e cobrir a superfície com um centímetro de areia grossa ou pedra fina.
Armadilhas amarelas colantes apanham os adultos e servem sobretudo para medir se o problema está a diminuir. Sem alterar a humidade da superfície, elas apanham para sempre.
Quarentena e higiene
Planta nova fica duas semanas afastada das outras. Tesoura limpa entre plantas, folha caída recolhida do prato e do chão. É pouco glamoroso e é o que impede que um vaso contamine a varanda inteira.
Quando nada resulta e a planta está mais doente do que sã, deitar fora sem drama também é gestão: manter um foco por teimosia custa as vizinhas.
Este texto é revisto sempre que a prática na varanda desmente o que aqui está escrito. A data no topo é a da última revisão.